Aventura #34 - Guerra em Nova Arcádia


Um turbilhão de sensações percorreu seus corpos enquanto flutuam pelo fluxo de energia do portal aberto pelo paladino. No instante seguinte eles estavam caídos sobre um campo gramado. O céu sem nuvens brilhava em tons de roxo e laranja, no horizonte duas luas despontavam.

Vekna foi o primeiro a levantar-se. O mago olhava para todos os lados procurando os inimigos. Alyan e Tyr ajudaram Desmond a caminhar, o paladino ainda sofria os danos do veneno usado por Aela.

- Urg! Pensei que estaríamos na cidade... – disse pausadamente Desmond.



O grupo seguiu pelo campo até uma estrada construída com blocos de cristal que de longe parecia ser água. Dali eles foram seguindo em direção ao norte, após meia hora de caminhada, o grupo foi abordado por uma patrulha de centauros.



- Ulavathae noresh taine – disse Arthemis – uma centauride enquanto os demais cercaram os aventureiros.

- Eu sou aliado de Arcádia, queremos ir à cidade... – respondeu Desmond antes de ser interrompido por Arthemis.

Eles foram escoltados até os portões de Arcádia. A cidade estava diferente. O enorme portão de ouro só foi aberto quando Arthemis solicitou. No alto das muralhas silfos e dríades vigiavam. Assim que entraram na cidade foram levados até um salão próximo a muralha, antes disso tiveram que deixar suas armas, inclusiva as relíquias élficas.


Desmond foi colocado em uma cadeira e ali ficou. O corpo do paladino estava paralisado quase completamente e usando suas últimas forças ele chamou por Ennar. Momentos depois ela apareceu e falou com Valquíria sobre eles serem aliados. A fada estava um pouco maior e também usava um traje adornado. 

Valquiria                                                     Ennar


- Desmond, Desmond... o que achou do meu vestido novo? Combina com meu novo status de fada arcana do gelo? – exclamou Ennar.

- Precisa de ajuda Ennar... foi o máximo que ele pode dizer.

Antes de chamar uns dos golens de cristal, que patrulhavam as runas da cidade, Vekna conversou com ela, o mago procura um mestre para desenvolver outro caminho de magia. Desmond foi levado a um alquimista amigo da fada, aos demais ela disse para se reunirem na biblioteca mística no final da tarde. Por hora, eles estavam livres para circular por Arcádia.



O golem deixou Desmond em um canto e saiu. Ennar chegou em seguida. Ela pediu para Styx, um gnomo alquimista, cuidar do paladino.

- Mais tarde eu volto para vê-lo. Styx faça o que precisar.

O gnomo sacou uma varinha e apontou para Desmond fazendo o flutuar no ar até outra sala onde o colocou sobre uma bancada de pedra. Ele espetou a varinha no braço do paladino deixando o sangue escorrer, depois pegou uma amostra e fez um ritual para identificar o veneno. Horas mais tarde Desmond sentia-se um pouco melhor, mas o corpo ainda lento e pesado.

Durante esse período o restante do grupo foi ao círculo do entretenimento a procura de uma pousada. Nas ruas dessa parte da cidade ele3s viram grupo de anões malabaristas e uma trupe de faunos encenando uma peça.

A estalagem Sábio Preguiçoso estava cheia mesmo com o controle de entrada de pessoas na cidade. Eles sentaram-se em uma das mesas, rapidamente um fauno os atendeu. 


- Hoje temos salada de cogumelos ou ovos de salamandra com pimenta para entrada e dragão’agua assado ao molho de laranja e mel para prato principal – ofereceu a eles antes de ir deixar canecas de hidromel na mesa ao lado.

- Queremos quatro, três com ovos de salamandra e um com salada – respondeu Vekna.

Na mesa do lado um elfo, um humano com cabelos grisalhos e uma jovem jogavam cartas, bebiam e riam alto. Ao fundo, num palco de madeira, bardos tocavam alaúdes e vez ou outra cantavam uma canção.

O elfo, todo animado, abordou Vekna quando o fauno trouxe as primeiras de muitas canecas de hidromel.

Não quer jogar cartas? – perguntou maliciosamente.

Estou bem, obrigado – respondeu o mago.

Ah... e se apostarmos algo? Fica mais interessante – retrucou.

A conversa continuou com Vekna tentando obter informações sobre o cristal azul que ele encontrou nas ruínas élficas. Depois da recusa final o mago passou o restante dos momentos ali monitorando o elfo e seu grupo.

As entradas foram servidas quando Ennar e Desmond chegaram. Alyan e Tyr mantinham a compostura mesmo com os ovos apimentados queimando suas línguas. Lia desfrutava da sua salada tranquilamente. Mais umas rodadas de hidromel depois Alyan foi dançar com o grupo da mesa ao lado para desespero de Vekna que por um momento achou que eles tinham roubado o lorde.

Ennar conseguiu negociar um quarto para todos por apenas cinco moedas de prata. Quando deu a notícia Desmond e Lia riam à toa, Tyr havia pago mais bebidas, além de dar um mortal mesmo bêbado (mesmo tendo vomitado em seguida). Uma briga começou do outro lado a taverna, cadeiras e canecas voaram, gritos de dor e xingamentos, ou era o que eles acharam que fossem aquelas palavras.

Depois que os golens levaram os brigões, Lia foi para o quarto dormir e os demais seguiram para a biblioteca no círculo do conhecimento. 



Lilith os recebeu no terceiro andar da torre. Nas laterais circulares as estantes de metal quase formavam um labirinto. Lilith, a tímida fada, veio falar com eles. Ali eles descobriram que o conjunto de relíquias foi forjado pelos Elfos da Noite para se opor as 3 Relíquias Místicas dos Elfos do Sol.
O conjunto encontrado por eles é o da terra e supostamente existe um conjunto para cada elemento. Além disso, todos eles possuem uma peça que é o coração mágico. No da terra é o martelo capaz de aumentar o peso daquilo que é cortado por ele.




Lilith folheou o livro A Origem do Poder antes de responder a Vekna sobre as Relíquias Solares. A primeira chamada Solar Igneas é um amuleto de ouro com rubi ao centro, seu formato remete ao sol e concede ao usuário o controle absoluto do fogo. Se o usuário não for hábil será consumido pelas chamas.

A segunda chama-se Aegis. É um baú de marfim capaz de selar qualquer coisa. Objetos são transformados em energia e selados para sempre; seres vivos permanecem selados por mil anos.
A terceira é conhecida por Ogna Infinitum. Um livro mágico com aparência desgastada que concede ao usuário magia temporal desde que ele consiga ler até o final sem ficar preso em um lopping temporal ou ser lançado entre os planos e dimensões.

Saíram de lá no final da tarde. Ennar disse que no dia seguinte eles deveriam ir ao palácio de cristal participar de uma audiência com a rainha Titânia. Até esse momento o grupo dividiu-se para olhar as lojas no círculo do comércio e da magia.

Desmond foi com Tyr até a loja Caminhos Sombrios. Segundo Lilith ali ele encontraria ajuda para lidar com maldições. Uma bela mulher os recebeu. Desmond desconfiou que ela não era humana, pois não parecia estar encantada por ele.


Eriel disse que havia um ritual que poderia estender o tempo de vida do ranger, mas para realiza-lo ele deveria passar a noite lá. O pagamento foram três moedas élficas. Desmond deixou o companheiro lá e foi a estalagem.

Vekna conseguiu negociar um cristal elemental da água em troca de um anel do Sol e da Lua e também um orbe de luz azul. Theros, o senhor loja, ainda conseguiu umas moedas do mago após ele ter falhado em criar uma joia única para colocar na negociação.



Aos poucos o grupo descobriu que aquelas moedas tinham valor para os elfos. Lor. Um elfo armeiro, ficou com a maior parte delas. Desmond comprou uma lança. Alyan comprou uma armadura élfica prateada com detalhes em dourado junto com um escudo.



Após uma noite de sono tranquila, eles tomaram café da manhã na estalagem. O grupo aguardava Ennar para ir ao palácio, enquanto isso Desmond foi encontrar Tyr. Toda vez que o paladino passava pelo umbral da loja um arrepio percorria sua coluna. Eriel o levou ao fundo da loja. Tyr não resistiu ao ritual. Mais tarde o grupo foi até lá buscar o corpo. Tiveram pouco tempo de luto, pois era hora de ir ao castelo.

No palácio de cristal a segurança era maior do que nas ruas da cidade. As construções de mármore, cristal, ouro e prata demonstravam a beleza da arquitetura faérica. Na sala do trono o grupo fez uma referência ao rei Oberon e a rainha Titânia.


A rainha contou-lhes da guerra entre o Reino do Norte e o Reino do Sul. A rainha Mephala fez uma aliança com o Domínio Elfico e graças a isso estão fazendo duas frentes de batalha. Uma na divisa entre reino sul, reino norte e reino élfica onde os rios Alfeu e Styx se encontram, e a outra pelo monte Arcorion.



Em uma das investidas as fadas da corte Selie enfrentaram elfos da noite usando o conjunto de relíquias elementais da luz e das trevas. Por isso, a rainha disse que ficaria com o conjunto da terra para ajuda na batalha. Em troca ela enviará uma das fadas reais e um dos silfos do ar para ajuda-lo a lidar com Safira. A rainha também enviará emissários para recuperar o baú de marfim.

Durante a audiência um dos centauros abriu a porta do salão e anunciou dois visitantes.

- Arquimago Merlin e Grão Mestre Lucian da Ordem de Graal – vossa Majestade.



Desmond ficou sem reação por alguns segundos. Há anos não encontrava seu mestre. 

- Ora, não esperava encontra-lo aqui Desmond. Aproveito para te apresentar um grande amigo e conselheiro da Ordem, Merlin – disse em tom alegre o paladino.

Vekna só os conhecia de nome e claro por seus feitos. Todos que entram na ordem de Graal sabem quem são Arthur Pendragon e Merlin.

Terminadas as formalidades e aliança firmada o grupo foi dispensado. Merlin teleportou-se para os seus aposentos. Desmond conversou com seu mestre sobre a vida em Berz. Lucius estava ciente de muitos dos eventos que aconteceram nos últimos dois anos. O tutor contou que ele e Merlin vieram ajudar a rainha Titânia e claro proteger o corpo de Arthur caso os inimigos tenham sucesso.

No dia seguinte eles fizeram os preparativos para sair em direção ao portal que fica na floresta Titânia. Devido a guerra os portais da cidade estão selados. Ennar os guiará até o local. O grupo pegou suas armas de volta e saíram de Arcádia carregando o caixão de Tyr.

Parte 2

Alyan, Desmond, Vekna e Lia carregavam, um de cada lado, o caixão de Tyr. Os dois primeiros relembravam as aventuras e o mau humor do ranger. O mago e a elfa, por outro lado, pensavam em como levar o corpo seria cansativo. Pequenas pausas e revezamentos foram necessários durante o caminho.

O grupo, liderado por Ennar, seguia a estrada principal de Arcádia até a gigantesca floresta Titania. 



- Não saiam da estrada – advertiu Ennar – a floresta está mais perigosa do que o normal.

No final da tarde do terceiro dia eles chegaram a um dos postos avançados do reino norte. A torre construída entrelaçada com a floresta era imponente ainda que combinasse harmoniosamente com o bioma local. Na torre centauros, driades, ninfas e fadas trocavam informações, afiavam armas, preparavam poções.



Depois de instalados em um dos quartos e de uma refeição simples Alyan foi até o lago se lavar, uivos e sons estranhos o fizeram correr para a torre. Enquanto isso Desmond e Lia testavam o arco longo de Tyr em frente a torre. Vekna conversa com Ennar sobre seu treinamento do caminho da água. Mais tarde, durante uma tempestade a fada disse para o mago ir para fora meditar e entender a água até que a chuva não o molhasse mais. Antes da tempestade Desmond e Lia viram relâmpago cortando o céu vindo do fronte de batalha.

No dia seguinte o grupo seguiu pela estrada. Quanto mais ao sul eles iam, mais sinais da guerra eram notados. Em dois dias o grupo chegou a uma clareira na floresta e ao centro uma coluna de pedra marcava o espaço para o portal. Centauros bem armados guardavam a entrada.



Faelis – fada guardiã do portal – já os aguardava. Eles desceram até o centro da clareira, entre quatro colunas de pedra e cercado por água. Enquanto a fada abria uma explosão na entrada deixou todos em alerta.



Um elfo equipado com uma armadura completa terminava de matar um centauro. Ao seu lado duas sombras gigantes revelaram-se um troll e um ciclope de sete metros de altura cada. Faelis parou o ritual para abrir o portal e conjurou dois guardiões da floresta para enfrentar as criaturas.



Vekna depois de analisar a situação desenhou uma runa da terra no chão e canalizou a energia mágica. Momentos depois as colunas de pedra transformaram-se em pó e envolveram os corpos dos aliados criando uma proteção. Para tanto, o mago usou toda a sua energia arcana.

Molog, o troll, desferia golpes com seu martelo arrancando partes de raizes e cipós do guardião. Desmond tentou se aproximar e quase foi atingido por um golpe do martelo que estremeceu e rachou o chão. Do outro lado, Thar – o ciclope – portava uma maça que foi aparada por raizes saindo das ''mãos''da guardiã.




Diante do confronto de gigantes o guerreiros decidiram enfrentar o elfo. Ennar estava acima deles e conjurava lanças de gelo para lançar nos inimigos. Desmond e Alyan avançaram na direção de Aedir. O elfo lançou uma rajada de energia com um movimento da espada e cortou três lanças de gelo que iam na sua direção. Desmond recuou instintivamente, com isso, Aedir foi em direção a Lia e Vekna que disparavam flechas próximos do portal. O elfo havia segurado uma flecha da elfa e lançado de volta. Ela então, num reflexo rápido desviou.

Alyan alcançou o elfo e começaram a trocar golpes. Desmond logo entrou no conflito. Ambos precisavam tomar cuidado com os efeitos da batalha dos gigantes. Em certo momento, Molog amassou o guardião com seu martelo. O resto das folhas e raizes moveram-se pelo chão e imobilizaram o troll, sendo atingido por Ennar.

Golpes de Aedir eram absorvidos pela magia de proteção de Vekna. Apenas faiscas surgiam do troque de golpes. No contra-ataque Aedir disparou uma rajada de energia que foi aparada por Alyan com o escudo. Clamando aos céus por força ele segurou por algum tempo, mas mesmo assim acabou sendo arremessado contra a construção de pedra do portal.

O ciplope disparou um raio de energia que cortou o campo de batalha, causado explosões no solo. Vekna, Aedir e Desmond evitaram as explosões. Porém Lia foi atingida pela guardiã que fora arremessada pelo ciplope. Mais uma vez a magia de proteção evitou o pior.

Ennar conjurou um meteoro de gelo e lançou contra os inimigos no centro da clareira. O impacto criou uma cratera no solo e um bloco de gelo com os três inimigos dentro. Por pouco, Desmond não foi atingido. Os demais já estavam mais afastados.

O grupo reuniu-se perto do portal cobertos de água, lama e folhas. Faelia voltou a abrir o portal. Desmond conversa com Ennar para retirar o caixão de Tyr do bloco de gelo. A fada concordou, mas disse que cobraria depois.

Por fim, eles começaram a entrar pelo portal. Nesse momento um raio caiu no centro da clareira destruindo o bloco de gelo. Elfos e fadas da corte Unselie surgiram e na sequëncia entraram em confronto com as fadas da corte Seliee que haviam chego para proteger o portal.

Aventura #33 - Perseguir ou ser perseguido?


Em uma manhã fria, num dos dias mais rigorosos do inverno, Merin recebeu em sua sala um homem alto e esguio. Ele havia chego no dia anterior após ter entrado discretamente na cidade. As labaredas estalavam as lascas de madeira na lareira. A luz das chamas e das velas refletiam na máscara que Vekna usava mesmo estando a sós com Merin.

- Vekna não há necessidade de ficar tão alerta aqui no castelo – disse o paladino - e ao mesmo tempo pensava em como a ordem Graal tinha talento em recrutar membros excêntricos.

- Agradeço pela hospitalidade Merin, porém eu prefiro estar vigilante – respondeu Vekna – indo em direção a janela para olhar o pátio do castelo.

Nesse momento Desmond bateu na porta e em seguida entrou, ele atendia ao chamado de Merin. O paladino viu Vekna, porém não perguntou de imediato sobre ele. Merin fez rapidamente as apresentações e então deu a eles uma tarefa que pode ajudar a resolver a situação com Safira e a Floresta Sombria.

Segundo Merin, o reino do Norte, em Arcádia, havia negado enviar fadas para ajudá-los, pois no momento eles estão em conflito com o reino do Sul. No entanto, a rainha Titânia informou que recentemente uma relíquia elfica foi despertada no plano terrestre e, isso fez com que outra relíquia ressoasse sua energia mágica. Sendo assim, ela disse a Merin para ir até a cidade de Elden e pedir ajuda aos elfos da floresta para localizar o artefato.

Vekna, já ciente da situação, queria partir o quanto antes. O mago evitava fica muito tempo no mesmo local, mesmo tendo chego na cidade no dia anterior. Ele quase nunca retirava a máscara e ainda emprestou uma delas para Desmond. Os dois despertavam o olhar dos moradores de Berz enquanto caminhavam a perfumaria para encontrar com Arthas.

Durante toda a manhã Alyan permaneceu na sua casa para analisar os livros de registro do feudo, contratar trabalhadores, falar com fornecedores, entre outros assuntos. Um pouco antes do almoço decidiu ir verificar os trabalhos de reconstrução da igreja. Toda a estrutura de pedra estava refeita, assim como as partes de madeira. No momento os construtores terminavam o telhado. Leon, um homem baixinho e careca, acompanhou o lorde pelo local enquanto explicava o que havia sido feito.

- Lorde Alyan, estamos quase terminando. Depois do telhado vai faltar instalar os vitrais, a parte mais trabalhosa e cara da construção – disse o pequeno engenheiro.

- Está ficando muito bonita a igreja Leon. Quanto ao custos não se preocupe eu particularmente estou empenhado para que tudo fique impecável – disse com um sorriso amarelo ao lembrar do quanto ele teve que contribuir, sem falar no dízimo pago.

Saindo da igreja ele recebeu uma carta de um dos mensageiros da cidade. Na carta o arcebispo Borgia pediu a ele para receber o padre Giorlamo dentro de quinze dias, pois o mesmo chegará na cidade antes do término da igreja. De volta a casa, durante o almoço Alyan só pensava na época que era um simples guerreiro e sua preocupação era sair para fazer algo, ganhar algum dinheiro e beber na taverna com os amigos, bons tempos…

Aventura #32 - Traidor!


Os eventos abaixo aconteceram nos dias após a batalha na Floresta Sombria.

Desmond foi procurar Arthas. O paladino estava em seu aposento, sendo cuidado por três serviçais. No dia seguinte, no pátio do castelo, Arthas iniciou o treino de magia de combate, ou melhor, foi mais uma demonstração do que uma aula.

- A teoria você já aprendeu quando era iniciante na ordem, agora vamos para a parte prática – disse ao encantar sua espada com magia de ar.
- Vamos me ataque!

Desmond avançou contra ele empunhando uma espada de madeira, antes de trocar golpes ele sentiu um pequeno corte no rosto. O ar ao redor da espada aumentava seu alcance e também o seu poder. Ele pediu para Desmond fazer o mesmo.

O paladino estava concentrado quando Arthas bradou, ao lançar uma rajada de vento quando fez um corte horizontal no ar com a espada: Agora vou mostrar outra técnica, defenda-se!

Num ímpeto Desmond cortou a rajada de ar com sua espada também encantada. Na sequência Arthas ensinou a ele uma magia de defesa e outra de agilidade. Claro que neste processo o paladino ficou com hematomas dos arremessos e pancadas recebidos até entender como usar aquelas magias. O treinamento prosseguiu por mais alguns dias, assim ele aprendera o básico.

Em outro momento Desmond pediu a Merin e a Arthas para consultar membros da ordem para obter informações a respeito dos canhões que eles viram em alto mar, além da pólvora descoberta há um ano. De acordo com Redlbelt os canhões eram usados pelo reino de Nillfgard, além do mar.

***
Alyan descansou em seu feudo. Nos dias ali ele viu as bandeiras e estandartes com a cruz de Santiago estavam prontas, excelente trabalhado feito pelas artesãs acostumadas a trabalhar principalmente com lã.

Theon, o administrador da propriedade, entregou a eles duas cartas. A primeira era um comunicado oficial de Berz no qual Lorde Hildgard informava que cada lorde nomeou um vassalo como representante na administração do porto, assim como, um administrador geral nomeado pela cidade. Representando DeBrayne Alyan indicou Sir Beovia, o mais antigo vassalo do feudo.

A segunda carta era do arcebispo Borgia. O clérigo aceitou visitar as terras mais novo lorde de Berz. Notícia que alegrou os ânimos dos vassalos quando Alyan fez o anúncio num jantar na sede do feudo. Quanto ao casamento o arcebispo disse que falará com ele pessoalmente, também pediu para ele fornecer ajuda e assistência ao padre Girolamo que chegará em Berz em quinze dias, um pouco antes da reinauguração da igreja.


 Girolamo

***

Veigar deixou a guilda um pouco antes da sua dissolução, na mensagem ele disse apenas que partiria em uma viagem sem mencionar o destino ou o propósito. Alyan concordou em deixar os lucros da guilda para Desmond e Tyr, ele ficou com a sede na cidade, sendo permitido que os outros mantenham seus quartos. Os pertences de Lyon foram retirados do seu quarto e queimados no pátio. Na ocasião Desmond entregou a eles um colar de ouro, prometido por Merin. Alyan e Tyr também acertaram suas diferenças devido ao acordo de construção do porto.

***

Tyr reuniu-se com Bjor e Bane. O plano para trazer os contrabandos pelo rio estava pronto, agora só dependia do capitão Redbelt começar a navegar até Basiléia. Mais tarde o ranger foi até o feudo de Alyan aguardar o retorno do capitão que levou o barco a Maon para testá-lo. Na volta o capitão disse que estava pronto para navegar com a tripulação de dez homens. 

- Que bom te encontrar aqui Tyr – disse o capitão. Encontrei esse garoto em Maon e ele tem uma história interessante para contar.

Joha

- Oi... meu... nome... é Joha. Você me salvou em Maon quando aquelas criaturas verdes atacaram a vila – contou o garoto.

- Ele disse que queria ser um aventureiro e como ele não tem família decidi trazê-lo aqui. Ele insistiu mesmo depois de ameaçar abrir sua barriga e jogar as tripas no rio – disse rindo Redbelt.

Tyr, apesar do mau humor constante, havia sentido empatia pelo garoto. Talvez pelo fato dele ser o oposto do ranger quanto ao temperamento. Depois da chegada ele deu uma espada curta ao garoto e o mandou a Berz procurar a taverna Porco Trovejante. Quando Joha passou pelo feudo pedindo informações Alyan o alimentou, deu a eles roupas e disse para ir no outro dia pela manhã. Mais tarde, Tyr e companhia também passaram a noite no feudo.

De volta a Berz a mãe de Tyr ficou sem entender. Ela achou que o garoto era um filho bastardo de Tyr e estava tratando o garoto como neto. Nesses dias o ranger conseguiu negociar com Alina o conserto do seu arco – que foi cristalizado. A maga tinha um contato em Estrosburgo e cobrou dele o serviço. Dias depois ele recebeu sem arco consertado.

***

Merin os chamou dez dias depois. O líder de Berz disse que recebeu outra carta de Uther, magistrado de Velen, agradecendo por ter enviado Lyon para ajudar com o problema da floresta. Além disso, ele descobriu que Estrosburgo enviaria templários para lá também. Merin então pediu para eles irem até Velen capturar Lyon, senão for possível então mata-lo. Contudo, eles deveriam tomar cuidado para que a imagem de Berz não seja prejudicada.


Feitos os preparativos o grupo – Alyan, Tyr e Desmond – partiu para Velen. A neve caia suavemente sobre eles quando saíram de Berz trajados e equipados. O vento frio era mais suportável graças as grossas capas que eles estavam usando. No primeiro dia passaram pelo vilarejo onde Ban, o pastor de ovelhas, havia pedido ajuda há algum tempo. 

De lá, atravessaram a ponte. Mais dois dias de viagem pela estrada ao lado da floresta sombria, ou melhor, aquilo que restou após as chamas de Drakna queimarem metade das arvores secas. 



Na manhã do quarto dia, um domingo, eles chegaram a Velen. Alayn e Desmond decidiram ir à igreja conversar com o padre enquanto Tyr foi ao bordel.

Velen

Na igreja um grupo de pessoas ouvia uma jovem fazer um discurso nos degraus, logo atrás a porta estava fechada. Catharine incentivava as pessoas a não aceitar a ajuda de Lyon. Segundo ela, depois que ele chegou as coisas só pioraram, além de pessoas estarem desaparecendo.

Enquanto isso, Tom aproximou-se deles. Na breve conversa, eles disseram que estavam só de passagem. Também descobriram que o padre August estava desaparecido, assim como outras pessoas. Depois Catharine também veio falar com eles e então eles contaram que estavam ali para lidar com Lyon.

Catharine                                          Tom



Tyr, por sua vez, estranhou o grande movimento de pessoas no bordel no domingo de manhã. O ranger descobriu da situação da vila, ou seja, os desaparecimentos, a ajuda de Lyon, a falta de mantimentos e as lojas fechadas. Ane disse que ele conseguiria mais informações sobre Lyon se conversasse com Uther na prefeitura.

O magistrado, depois questionar Tyr – que mentiu sobre sua identidade e propósito – contou-lhe da ajuda de Lyon e que o druida estava na estalagem, embora há três dias não seja visto na vila. Nilfe, um homem alto com uma cicatriz no olho direito, acompanhava Uther. Os dois eram os principais apoiadores de Lyon.


Uther                                                                                     Nilfe

Alyan e Desmond encontraram Tyr saindo da prefeitura. Mais tarde eles foram ao cemitério investigar, pois algumas pessoas relataram terem visto Lyon por lá. Não havia ninguém, apenas algumas covas recém feitas e algumas outras abertas. 




Dentre as lápides uma cripta destacava-se. Alyan reconheceu o brasão cravado na pedra, pertencia a família de nobres aventureiros chamada Dumbar. Eles foram os pioneiros na exploração da montanha e para isso fundaram uma vila que mais tarde tornou-se a cidade de Velen.


A cripta possuía alguns degraus e tinha apenas um salão com três caixões de pedra ao centro. Pilares de pedra sustentavam a estrutura e também serviam de suporte para tochas apagadas. Desmond foi a frente usando sua lanterna, a luz aos poucos ia relevando o interior da cripta. Tyr percebeu pegadas no chão empoeirado, indicando que pelo menos três pessoas estiveram ali recentemente.

Desmond e Alyan aproximaram-se dos túmulos, um deles (do centro) estava entre aberto. O guerreiro empurrou a pedra para terminar de abri-lo. Lá dentro não havia ossos, apenas manchas vermelhas cobrindo o fundo, parecia ser sangue, muito sangue.

Concentrados nos túmulos eles não notaram esqueletos aproximando-se e partindo para cima. Um de cada lado e o terceiro vindo por cima de um dos túmulos. As criaturas tinham forma humanoide, envolvido em raízes, com a lápides no lugar da cabeça.


Alyan, Tyr e Desmond receberam os primeiros golpes e em seguida contra-atacaram. Um dos inimigos caiu rapidamente, outro – que vinha sobre os túmulos – saltou sobre Alyan que o apartou com o escudo, jogando em seguida dentro do túmulo vazio onde foi finalizado por Desmond. Tyr havia trocado o arco pelas espadas curtas e revidou fazendo um movimento em X.

Só então eles notaram a presença estranha que estava escondida nas sombras. Lyon apenas disse que foram tolos de virem atrás dele e num gesto ritualístico fundiu os três esqueletos em um maior. Em seguida transformou-se em uma nuvem de insetos e saiu da cripta. A criatura expandiu suas raízes pelas laterais da cripta para prendê-los.

Lyon

Tyr e Desmond recuaram para perto da saída. O paladino ajoelhou-se e começar a recitar uma prece a Deus Todo Podoreso. Tyr deveria protege-lo. Alyan partiu para cima da criatura e atacou o lado esquerdo cortando as raízes. Do lado direito elas continuaram a crescer e alcançaram Tyr. Ele defendeu-se das primeiras chicotadas e estocadas, mas algumas acertaram sua perna.

Alayn recebia no escudo poderosos golpes do monstro. Então uma luz desceu sobre Desmond e quase em transe ele levantou os braços tomando controle daquela abominação. Alyan cortou a criatura em partes até ficar apenas restos.

No fundo da cripta eles encontraram um círculo no chão e algumas urnas funerárias. Tyr explodiu uma delas com uma flecha assustando Alyan que estava perto das mesmas. O ranger pegou, sem pesar, algumas moedas de ouro deixadas ali.


De volta a Velen, a cidade estava em comoção porque Catherine havia desaparecido e os grupos a favor e contra Lyon estavam com os ânimos alterados. Além disso, a presença de visitantes depois de tanto tempo também levantava suspeitas. 

Depois de resolvido o impasse eles foram a estalagem. Sylon, um senhor de cabelos grisalhos, os acomodou em um quarto no andar superior, a comida era simples – para não dizer horrível – afinal a cidade estava com poucos suprimentos. Após a jantar eles foram checar o quarto de Lyon para procurar pistas. Alyan ficou de guarda na escada, Tyr destrancou a porta e entrou. Assim que pisou no cômodo ele ativou uma runa e espinhos de madeira feriram ainda mais sua perna. Desmond o levou de volta ao quarto e fez outra prece pela saúde do companheiro.

Sylon disse que a noite eles não deveriam sair. Havia um toque de recolher na cidade, além disso, diziam que monstros perambulavam pelas ruas à noite. Depois de três horas de descanso eles ouviram alguns barulhos vindos da praça central bem em frente a estalagem.

Cães latindo, pessoas conversando – embora inteligíveis o conteúdo, quase como um mantra. Cuidadosamente eles abriram a porta e saíram para observar. Tyr subiu no telhado da estalagem.

Muitas pessoas – homens, mulheres, crianças, idosos – estavam em circulo ao redor da praça. Algo no centro emitia uma pequena luz vermelha. O paladino e o guerreiro foram em direção as pessoas para tentar ver o centro. Tyr viu Lyon no centro da praça, na frente do druida um altar de pedra. Ele segurava uma adaga enquanto entoava palavras mágicas numa língua estranha. Deitada sobre a pedra estava Catharine. O ranger ainda tentava entender o estava acontecendo.



Por uma das ruas laterais a estalagem Tom e um grupo de seis guardas vieram correndo. 
Tom gritou: Parem! Não façam isso! 

Na sequência foram abrindo caminho entre as pessoas que agora viraram para fora dos círculos e atacavam o grupo. Alyan e Desmond juntaram-se a eles. Crianças seguravam nas pernas, mulheres batiam com panelas, idosos jogavam fezes, homens usavam pás e enxadas como armas. Não ofereciam grande perigo, porém eram um obstáculo.

Então Lyon cravou a adaga no coração de Catherine, seu grito de dor ecoou no ambiente. Quando o sangue escorreu sobre a pedra até o chão o brilho vermelho ficou mais intenso e uma barreira mágica envolveu Lyon e o altar. Ele continuava a entoar um encantamento.



Alayn e Desmond chegaram ao centro momentos antes de verem o sacrifício ser realizado, do lado de fora da barreira esqueletos – como aqueles da cripta – guardavam o druida. Espada e lança, do guerreiro e do paladino respectivamente, cortaram e destruíam as raízes e terra das criaturas sem dificuldade, porém a barreira era mais resistente.

Do altar linhas vermelhas corriam pelo chão em direção aos quatro pontos cardeais. Momentos depois pontos de luz vermelha foram vistos nessas direções e toda a cidade foi envolvida por uma espécie de névoa mágica. As pessoas começaram aos poucos a cair no chão inconscientes, aqueles mais fortes conseguiram resistir um pouco mais.

De cima do telhado Tyr atirava flechas contra a barreira e aos poucos pequenos trincados eram feitos. Na parte de baixo Alyan golpeava. Desmond observava a situação quando flores vermelhas começaram a crescer de dentro dos corpos das pessoas. Assim que desabrochavam um orbe de energia ia até o centro para ser absorvido pelo druida.



Foi então que Tyr viu quatro aranhas indo em direção ao centro. Ele atirou em uma delas que desviou do seu caminho e foi em direção a ele. Ela lançou uma teia e começou a subir em direção ao telhado. O ranger cortou a teia e momentos depois desceu do telhado pelo outro lado, mas ali ele ficou mais abatido pela magia do druida tendo que esconder-se.



A sensação de fraqueza permanecia forte, agora somente eles estavam conscientes. As outras aranhas atacaram Desmond e Alyan. Eles dividiam o combate entre elas e tentar romper a barreira que estava quase cedendo. Por um instante Lyon tomou o controle e gritou: Saiam daqui! Vocês vão morrer! Maximus retrucou: Silêncio seu tolo. Então orbes de luz surgiram das casas e vinham de todas as direções da cidade até o centro, ou seja, todos os habitantes de Velen estavam mortos.

Quando a barreira quebrou Desmond ignorou a aranha e usando sua magia de combate moveu-se o mais próximo possível de Lyon e arremessou sua lança que acertou em cheio o estômago do druida. Alyan também partiu para cima, com as aranhas em seu encalço, saltou sobre o altar e deu um golpe na cabeça de Lyon. 

O druida caiu no chão com um sorriso no rosto. Então toda a energia concentrou-se nele, assim como todos os corpos e criaturas foram absorvidos. Antes dele renascer com todo esse poder Safira surgiu e o tomou para si.


Safira
 

Alyan e Desmond foram em direção a Tyr. A elfa foi flutuando até eles.

- Oh... não esperava encontrar ninguém vivo depois desse ritual – disse enquanto pensava: então aquele druida ainda conseguir resistir e salvar estes três...
- Nos encontramos novamente, nós a ajudamos a vencer a fada – recordou Desmond.
- Sim, eu lembro de vocês.

A conversa continuou por mais alguns minutos. Em suma, ela pediu a eles informações de como acessar o portal para arcádia que fica em Berz. Se fizerem isso ela concederia a eles um desejo. Alyan questionou sobre imortalidade, Desmond disse que queria poder para ascender na sua ordem e Tyr mostrou-se desinteressado. Isso chamou a atenção de Safira.

- Humanos sempre querem algo, mesmo que não admitam. Sendo assim, coloquei uma marca em você para obriga-lo a colaborar. O ranger agora ficou sem escolha, senão ajuda-la em trinta dias ele morrerá.

Após isso eles respiraram aliviados. Safira prometeu passagem segura para eles pela floresta sombria e também pararia o avanço da floresta nesse tempo. Em trinta dias eles deveriam encontra-la na antiga fonte guarda pela fada.

Depois de descansarem um pouco o grupo partiu. Não queriam encontrar os templários e ter que explicar aquela situação. Ao mesmo tempo que estavam aliviados por terem resolvido as coisas com a traição de Lyon, o peso de milhares de vidas estava sobre eles. A volta foi silenciosa.

Em Berz eles tentavam retomar a vida como antes. Desmond relatou a Merin o que aconteceu. O paladino de Graal deu a eles descanso por algum tempo e iria consultar a ordem sobre o que fazer diante desse problema.

Assim, o inverno chegou na metade. O frio não era apenas físico, parecia impregnar a alma e abalar o espírito.